sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Trabalhando religiões de matriz africana em sala de aula I

Uma das dificuldades do professor em trabalhar religiosidade de matriz africana, é sem dúvidas, o preconceito, que muitas vezes não partem dos estudantes, mas surpreendentemente de nossos próprios colegas, professores. Como educadores, temos que mostrar para nossos alunos (e colegas!) que devemos respeitar todas as manifestações religiosas. Nem todos precisam concordar com seus ensinamentos, mas o respeito ao sagrado do outro é fundamental para a compreensão das relações humanas. É importante deixar claro, durante as aulas, a importância do culto de matriz africana para a manutenção da cultura afro-brasileira, como a preservação de idiomas, canções, ritmos e visão de mundo que ainda são reproduzidos nos terreiros e casas de culto.
Por se tratar de um tema polêmico, e infelizmente, demonizado por parte de uma parcela da sociedade que desconhece o conhecimento histórico e antropológico, sugiro começar a trabalhar o assunto levando para a sala de aula a Mitologia Yorubá, ou mais especificamente, a criação do mundo segundo a mitologia Yorubá. Eu trabalhei da seguinte forma: 

Primeiro li a história em sala da aula, dei uma cópia para cada aluno. Discutimos as diferenças e proximidades com a gênesis cristã.

Depois, passei um vídeo que ilustrava a história da criação segundo os Yorubás.

Por fim pedi que fizessem uma peça teatral da história. Ficou maravilhoso!

Em 2009 os alunos de 7° fizeram um teatrinho e em 2010, os estudantes do 1° ano do Ensino Médio fizeram um teatro de bonecos. Eles mesmos confeccionaram os bonecos, gravaram as vozes, confeccionaram o cenário. Estou tentando encontrar o vídeo dessas apresentações e em breve postarei aqui para terem uma ideia, mas enquanto isso postarei um vídeo do youtube 

Com essa experiência, puderam perceber como surgiram os Orixás, como omundo foi criado, a função dos Orixás na visão africana Yorubá e que essa questão de que “é coisa do demônio”, não passa de puro preconceito. Foi desconstruído de uma forma bem leve e lúdica todo esse conceito neopentecostal e ficou mais fácil começar a trabalhar o Candomblé e Umbanda em sala de aula! .


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